Nutrição natural: adubação orgânica da cultura do milho
- Jornal Científico
- 16 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de dez. de 2025
O milho é uma cultura fundamental para a agricultura brasileira e seu desempenho depende diretamente do manejo correto da fertilidade do solo.
Para explicar como a adubação atua no desenvolvimento da planta e quais práticas garantem melhores resultados, entrevistamos o professor e doutor em Agronomia André Frota. Ao longo desta entrevista, ele comenta os tipos de adubação, os nutrientes indispensáveis e os cuidados essenciais para uma produção eficiente.

Doutor e mestre em Produção Vegetal pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), com graduação em Engenharia Agronômica pela mesma instituição e especialização em Segurança no Trabalho. Técnico em Agropecuária pelo IFMG – Uberaba. Atua como pesquisador em melhoramento e microbiologia de plantas, com experiência em informática, softwares agrícolas e agricultura de precisão. Foi chefe do Departamento da Estação Experimental da UFT – Campus Gurupi (2018–2025) e exerce a função de professor substituto no curso de Agronomia, ministrando Experimentação Agrícola, Estatística e Genética. Servidor efetivo da UFT desde 2006, atualmente com vacância para o cargo de Professor do EBTT no IFTO – Campus Pedro Afonso, nos cursos de Engenharia Agronômica e Técnico em Agropecuária.
No dia 26/11/2025, o Prof. Dr. André Frota foi entrevistado pelas alunas da 2ª série do curso Técnico em Agropecuária Integrado ao Ensino Médio, do Instituto Federal do Tocantins Campus Pedro Afonso.
A entrevista realizada trata sobre o tema: Adubação Orgânica do Milho (Zea Mays).
Entrevistadora: O que é a adubação orgânica e por que ela é importante para o milho?
Entrevistado: Adubação orgânica são aquelas feitas com produtos não sintéticos. Nesses fertilizantes sintéticos hoje, são na sua maioria com base de petróleo. Então, essa é a parte que a gente tem que separar, principalmente de solos e fertilidade. Com isso, trazendo para a parte de adubação orgânica, são todos aqueles restos, compostos ou aditivos que não são sintetizados de forma de petróleo. Então, isso se dá à adubação orgânica.
Entrevistadora: Quais são os principais tipos de adubação orgânica utilizados e a diferença entre eles?
Entrevistado: A adubação orgânica, ela vai estar principalmente em atividades que envolvam agricultura familiar ou de pequeno porte. Então, vai depender muito do nível tecnológico da propriedade. Em geral, utiliza-se muito compostagem com cama de frango e esterco bovino. São as mais utilizadas e mais recomendadas."
Entrevistadora: A adubação orgânica pode substituir totalmente a adubação química, ou a combinação das duas é mais recomendada?
Entrevistado: Essa é uma pergunta muito boa. Quando partimos do quesito de sustentabilidade, a adubação orgânica deveria substituir a adubação química. Só que hoje, com a quantidade de demanda por alimentos no mundo, isso é improvável, não tem como acontecer no momento. Para pequenos agroecossistemas, a gente consegue fazer a adubação orgânica em substituição à adubação convencional ou adubação química que utiliza hoje em dia. Mas pensando em grandes propriedades e monoculturas, e na quantidade de alimentos que deve ser produzida, não tem como. É impossível e inviável no momento.
Entrevistadora: Qual é a forma e o momento ideal para a aplicação do adubo orgânico na cultura do milho?
Entrevistado: A cultura do milho é uma cultura muito exigente, principalmente nos seus 15 primeiros dias. Um dos elementos essenciais na formação e desenvolvimento da cultura do milho é o nitrogênio. E ele está presente em esterco bovino, em estercos de avicultura, por exemplo. A parte de aplicação vai depender do seu desenvolvimento na parte da relação de carbono e nitrogênio que vai ter essa compostagem que você está fazendo ou essa parte de curtir as fezes desses animais. Que é deixar em um período de tempo de pousio para que todo aquele composto, todo aquele resto orgânico possa fermentar, liberar gases, queimar carbono, para que sim, quando você colocar na cultura como uma forma de adubação, ela não absorva o carbono próximo das raízes e o nitrogênio próximo das raízes, que não irá dar um efeito de queima na planta, na raiz dela.
Entrevistadora: A adubação orgânica é economicamente vantajosa e quais são as principais novidades e pesquisas atuais nesta área?
Entrevistado: A adubação orgânica, ela é sustentavelmente vantajosa sim. E é um dos futuros que a gente tenta colocar no nosso manejo sustentável; a ideia sempre é essa: reduzir então a quantidade de adubos e fertilizantes sintéticos, trazendo assim a adubação orgânica. Partindo do ponto de vista financeiro, numa propriedade que, se você tiver um sistema de agroecossistema dentro da sua propriedade, ela é altamente vantajosa, porque tudo que você tiver ali dentro vai estar aproveitando. Nas modernidades e pesquisas que temos ultimamente, como hidrogéis, que temos utilizado muito nessa parte. E o sistema integrado, lavoura, pecuária, floresta (ILPF). Que faz total diferença nessa parte de adubação.
AGRADECIMENTOS
Queremos registrar nossa gratidão à professora Leyciane Lima, idealizadora e orientadora deste projeto. Foi ela quem nos apresentou a proposta de criar um jornal escolar, dividiu a turma em grupos e guiou cada etapa da produção. Graças a esse incentivo, pudemos conhecer de perto o processo de elaboração de um jornal e desenvolver habilidades importantes, como escrita, organização e trabalho em equipe.
Agradecemos também ao nosso professor entrevistado, que nos recebeu com atenção e disposição para compartilhar seus conhecimentos sobre o tema escolhido pelo nosso grupo. Sua contribuição foi essencial para enriquecer nosso conteúdo.
Este jornal faz parte do projeto desenvolvido na disciplina de Língua Portuguesa, com o objetivo de aproximar os alunos do universo jornalístico e promover a prática da leitura, produção textual e comunicação.
Nosso grupo escolheu realizar uma entrevista sobre o tema "Adubação Orgânica do Milho", buscando compreender mais sobre o assunto por meio das respostas do nosso professor e especialista na área. A experiência nos permitiu aprender não apenas o conteúdo, mas também como funciona uma entrevista real: planejar perguntas, conversar com o entrevistado e transformar tudo em texto jornalístico.
Concluímos esta produção com muita dedicação e parceria. A foto a seguir representa não apenas nosso grupo, mas o esforço de todos os envolvidos. Esperamos que a leitura desta matéria seja tão proveitosa quanto foi a nossa experiência ao produzi-la.

Autoras:
Alana Neres Borges, Bárbara Vitória Almeida dos Santos, Beatriz Izabelly Almeida de Oliveira, Larissa Vitória Pereira Rodrigues, Maria Eduarda Fernandes e Thaylla Yslany Silva Santos
Comentários